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CDB: um investimento de Renda Fixa que você precisa conhecer

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10 de janeiro de 2017
6 minutos de leitura
11 comentários

Você conhece os diferentes tipos de investimento em Renda Fixa? O CDB é um daqueles que você não pode deixar de entender.

Começamos o ano com ótimas perspectivas, principalmente para nossos investimentos. Se 2016 foi um ano desafiador, miramos em um 2017 com boas oportunidades de investimento. Conhecer os diferentes tipos é essencial e, por isso, nesse artigo vamos falar sobre CDB.

Se você é daquele tipo, como eu, que não curte sopa de letrinhas, pode ficar numa boa. Não há nada a se temer aqui. CDB é simplesmente uma sigla para Certificado de Depósito Bancário.

Na prática, você não precisa decorar o nome. Acho muito mais importante que você conheça suas principais características e saiba investir conscientemente.

Os CDBs são, talvez, um dos investimentos mais populares depois da poupança. O motivo: são um dos primeiros tipos de investimentos a serem oferecidos pelo gerente do banco quando se busca alternativas a ela.

Junto com o Tesouro Direto, LCIs, LCAs (que explicaremos em breve), faz parte da Renda Fixa. Essa é a parcela mais conservadora e potencialmente mais segura dos investimentos, se comparado à Renda Variável e, por isso, recebe a maior parte da nossa grana.

Para entendermos mais sobre o CDB, vamos discutir alguns pontos importantes:

  • Afinal, o que é e para que serve?
  • Quando vale a pena investir
  • Investindo através de bancos grandes vs. bancos pequenos 
  • Comparando CDBs com o Tesouro Direto
  • Por onde investir

Tudo pronto? Então bora lá!

CD… o quê? CDB!


Você já deve ter ouvido alguém falar sobre esse tipo de investimento. Porém, se você for como a maioria das pessoas que nunca investiu em um CDB, é provável que não saiba exatamente como ele funciona ou por que ele existe.

Meu papel aqui é explicar da forma mais simples possível.

Para isso, vamos entender 4 fatos sobre os Certificados de Depósito Bancário:

 

#1 – É uma forma de você emprestar seu dinheiro para um banco

Não, eu não troquei as palavras. Quando usamos as palavras ’empréstimo’ e ‘banco’ na mesma frase, logo pensamos que estamos no endividando. Mas não nesse caso.

Aqui você é quem está emprestando e o banco, recebendo.

Por quê?

Bem simples: os bancos precisam de… dinheiro!

Quando precisam captar grana para investimentos internos, projetos, expansões, melhorias, enfim, uma fonte boa e barata é através da emissão de CDBs para pessoas físicas.

Ou seja, você empresta seu dinheiro, eles te pagam juros.

 

#2 – A liquidez (facilidade de sacar o dinheiro) pode não ser diária

Se você leu nosso artigo sobre o Tesouro Diretosabe que os títulos do Tesouro Nacional possuem liquidez diária. Isso quer dizer que todos os dias você pode solicitar o resgate, mesmo antes do vencimento.

No caso dos CDBs, isso depende do banco e do combinado. Como se trata de um empréstimo que você está fazendo ao banco, é interessante para eles que seu dinheiro fique por lá por um tempo.

Por isso, alguns bancos requerem que o dinheiro fique “travado” por alguns dias, meses ou até anos. Nesses casos, você só pode sacar na data de vencimento.

Em troca, isso costuma gerar taxas de retorno mais altas.

#3 – O rendimento do CDB está ligado à sua liquidez

Normalmente, um CDB com liquidez apenas no vencimento (isto é, você só pode resgatar o dinheiro em uma data pré-combinada) oferece maior rentabilidade. Ela cresce conforme o tempo de investimento for maior.

Por exemplo: é comum que um um CDB com vencimento daqui 360 dias ofereça melhor retorno do que um que vence daqui 90 dias. 

Além disso, outros dois fatores que influenciam o rendimento oferecido por um CDB são:

  • Valor mínimo requerido
  • Classificação de Risco do banco emissor (confira aqui a escala pelas três principais agências)

 

#4 – O rendimento normalmente é ligado ao CDI

Vixi, lá vem o Vinícius com outra sigla. Pra piorar, quase igual ao nome do investimento.

Calma, calma. É feia mas não morde…

CDI é uma referência que usamos no mercado de renda fixa. Seu valor é bem próximo ao da taxa Selic (nossa taxa básica de juros).

Como CDBs são emitidos por diferentes bancos, é muito interessante que eles “falem a mesma língua”. Isso quer dizer possuir seus rendimentos em termos do CDI.

Vamos colocar em números: um CDB pode render, por exemplo, 108% do CDI ao ano. 

Se o CDI for de 13%, isso significa:

1.08 x 13% = 14.04% ao ano

Vale lembrar que o valor exato do rendimento não pode ser previsto com exatidão, pois o CDI varia periodicamente.

 

Mocinho ou Bandido? Quando vale a pena Investir em CDB


CDB: Bom ou Ruim?

Conheço muitas pessoas que já ouviram falar nesse tipo de investimento e até mesmo algumas delas já fizeram aplicações “porque o gerente do banco sugeriu”.

A verdade é que existem CDBs bons e ruins.

Por isso, é preciso ficar atento para não investir achando que é uma maravilha e acabar tendo o retorno da poupança.

Em bancos maiores, os retornos costumam ser menores e normalmente atrelados ao quanto você possui para investir.

Exemplo prático: quando eu era mais novo, pedi para a gerente do banco simular o rendimento de um CDB para os R$2.000,00 que eu tinha na poupança. Rendia tão mal quanto a poupança. Já se eu tivesse R$20.000,00 ou R$50.000,00, a conversa poderia ser diferente. 

Uma alternativa é buscar CDBs de bancos menores, pois eles estão acostumados a oferecer retornos maiores para atrair investidores.

A contrapartida é que, em bancos menores, normalmente o dinheiro só pode ser resgatado no vencimento.

 

CDB vs. Tesouro Direto


No nosso artigo sobre o Tesouro Direto, explicamos em detalhes as modalidades. A que mais se aproxima do CDB é o Tesouro Selic.

Além disso, já sabemos que o valor da taxa Selic é praticamente igual ao do CDI.

Sendo assim, um CDB que pague menos que 100% do CDI não brilha tanto aos olhos. O Tesouro Selic rende o equivalente a 100% da Selic, com menos risco do que um CDB e com liquidez diária.

Resumo da história: se o retorno for maior do que 100% do CDI, começa a ficar interessante. Lembre-se apenas de ser bem cauteloso com a instituição que você vai escolher. Sim, bancos podem quebrar e não conseguir pagar de volta.

 

Por onde investir?


Se você estava pensando que precisaria abrir uma conta em cada banco cujo CDB quisesse comprar, fique numa boa. Não precisa não.

Na verdade, para bancos grandes isso é verdade. Porém, se você pretende investir em CDBs de bancos menores, isso pode ser feito através de corretoras.

Através delas, você pode comparar CDBs de diferentes bancos e decidir qual é o melhor para você. Fique atento, apenas, à taxa de administração (se houver) cobrada pela corretora.

 

O que fazer agora


Proximos Passos

Nesse artigo, pudemos falar um pouco sobre o que são os Certificados de Depósito Bancário. Assim, você pôde ter uma ideia geral de como buscar boas opções em compará-las entre si.

Se você pretende fazer esse tipo de investimento, vale a pena seguir esses passos:

  1. Decidir quanto você pretende investir
  2. Feito isso, é importante saber quando você precisará do dinheiro de volta
  3. Se não sabe ou se precisar no curto prazo, existem CDBs com liquidez diária (e rentabilidade menor)
  4. Caso consiga deixar esse dinheiro “travado” por um certo período, CDBs de bancos menores podem ser atrativos
  5. Se for investir através de um banco grande, vale a pena ter uma conversa com o gerente, pois ele pode negociar o rendimento com você
  6. Já se optar por um banco menor, ter uma conta em um corretora facilitará o processo.
  7. Após isso, é separar a grana, transferir para o banco/corretora, e realizar a aplicação!

 

Lembre-se: esse é um investimento de Renda Fixa, uma categoria quem preza pela segurança do seu dinheiro investido.

Nós do investeaê olhamos para segurança em primeiro lugar e, por isso, a maior parte dos nossos investimentos vão para a Renda Fixa.

 

Invista conscientemente para investir bem por um longo período!

Aquele abraço!

Vinicius Bazan

*As imagens foram retiradas de freepik.com e flaticon.com

Sobre o Autor:

Engenheiro pela USP, com passagem pela New York University, Vinícius passou anos de sua carreira atuando como professor nas mais diversas áreas. Trouxe para o Investeaê seu background em didática e estruturação de conteúdos educacionais para ampliar a experiência dos leitores, alunos e assinantes do Investeaê. É o responsável principal pelo curso Ações Extraordinárias, produz análises para o relatório Premiere Stocks e escreve semanalmente a newsletter Fator M.
  • Paulo Primati

    Olá Vinícius, tudo em paz?

    Acabei de ler seu artigo sobre CDB e estava pesquisando para fazer investimento nesse fundo.
    Encontrei um que paga 118% do CDI, prazo 3 anos, mínimo R$ 5 mil. E outro que paga IPCA + 7,5%, prazo 3 anos, mínimo R$ 5 mil. Ambos garantidos pelo FGC e o banco tem classificação APlus.
    Pelo que entendi do seu artigo, esse é um bom negócio. Estou certo?

    Abraço,

    Paulo

    • Fala Paulo!

      Muito legal você trazer um exemplo prático aqui. Vamos dar uma olhada:

      Se olharmos somente para o retorno, 118% do CDI é atrativo. É só comparar, por exemplo, com o Tesouro Selic, que tem rendimento aprox. igual a 100% do CDI.

      Três pontos importantes para se olhar, a partir daí:
      – Existe uma aplicação mínima bem maior do que o Tesouro Direto
      – O risco do CDB é maior do que do Tesouro e do que de um Banco grande
      – O dinheiro, nesse caso, fica “travado” até o vencimento daqui 3 anos

      Então, vale colocar na balança esses pontos para saber se algum deles inviabiliza seu investimento. Por exemplo:

      – Se você não tiver os 5k para investir de uma vez
      – Se você quiser correr riscos menores, através do Tesouro, por exemplo
      – Se você precisar do dinheiro antes de 3 anos

      Com isso em mente, fica mais fácil o caminho para decidir se vale a pena investir nesse CDB ou não.

      Abração!

      • Thais Sterenberg

        Oi Vinícius! Você sabe me dizer qual a diferença entre os dois CDBs que o Paulo falou, e qual deles é melhor? 118% do CDI, ou 7,5% +IPCA? Quando devo investir em um ou em outro tipo de CDB?
        Obrigada!

        • Oi Thais!!

          Se você quiser comparar só a rentabilidade, pode estimar quanto será o CDI e o IPCA para o período e fazer uma continha simples. Por exemplo, vamos considerar para 1 ano: CDI a 9% e IPCA a 4,5%.

          118% do CDI daria algo em torno de 10,6%
          IPCA + 7,5% seria próximo de 12,33%

          Porém, não comparamos só retorno, mas perfil de risco. Se os dois investimentos são do mesmo banco, o risco é igual, basicamente. Se são de bancos diferentes, precisa levar em consideração qual oferece menor risco.

          Do nosso lado, no investeaê, preferimos os investimentos mais seguros possível para a renda fixa. Nesse caso estou falando do Tesouro Direto.

          Espero te ajudado =)
          Um abraço!

  • Juliana Arthuso

    Tô depositando de pouquinho em pouquinho no Tesouro Direto, como eu faço pra acompanhar o risco de “quebra” da minha corretora? Existe algum lugar que reúne esses dados? No caso do tesouro direto eu compro títulos direto da união, o risco é bem menor de quebra né?
    abraço

    • Juliana, foi bom você ter levantado essa dúvida. Vou tentar esclarecer:

      – O *risco* das aplicações de renda fixa é o de a instituição que emite aquele produto não te pagar de volta

      – No caso do Tesouro Direto, o risco está ligado ao Tesouro Nacional não pagar a dívida que tem com você

      – No caso dos CDBs, o risco está ligado ao banco te dar um calote

      – Comparando então infos acima, dá para ver que o Tesouro Direto é menos arriscado do que qualquer CDB, já que o governo tem a “máquina de dinheiro” para imprimir mais, caso precise te pagar

      – Você só precisa se preocupar com o risco de a corretora quebrar se tiver dinheiro na conta-corrente dela ou ativos custodiados por ela. No caso do Tesouro Direto e CDBs, normalmente a corretora é só uma intermediária. Ou seja, mesmo que ela quebrasse, seu investimento ainda estaria seguro.

      – Uma das formas de analisar o risco de um banco é olhando as classificações que as agências de risco (Fitch, S&P e Moody’s) dão a cada banco e a cada país.

      Ficou mais claro?

      • Juliana Arthuso

        Ficou beeeeeeem mais claro. Valeu!

  • Yasser Guimarães

    Opa, tudo bom? Uma dúvida que eu tenho tanto com cdb quanto com tesouro direto, é se com a liquidez diária eu preciso retirar todo o dinheiro ou só uma parcela (como fazer um saque). Valeu e ótimo Carnaval!

    • Fala Yasser!

      No Tesouro Direto você pode retirar uma parcela do valor investido. Não precisa retirar tudo.

      No caso do CDB, depende. Há duas modalidades de CDBs: os com liquidez diária e os com liquidez no vencimento.

      Os com liquidez diária permitem que você retire uma parcela apenas.

      Já os com liquidez no vencimento só permitem que você retire o dinheiro na data final, todo ele.

      Abração!

      • Yasser Guimarães

        Muito bom, brigadão!